O arquivo fotográfico e o indivíduo moderno
Camila Leite Araujo, Silas de Paula
Resumo
O indivíduo por meio da pintura e da fotografia passou a produzir e a reconhecer a sua própria imagem. O mundo passou, mais que em qualquer outra época, a ser visto por representações visuais. E a fotografia – gramática do ver e do ser visto – tornou-se a linguagem primordial para se viver socialmente, representando não apenas uma construção de memória, mas uma autoconstrução social. Esse processo, a partir do qual o indivíduo passou a ‘se reconhecer’ e reforçar alguns conceitos que surgiram nesse percurso, como o individualismo, a individuação e individualidade. O “descobrimento do indivíduo” não apenas deu importância a eles, mas também deu significado ao ato de separá-los, identificá-los, registrá-los e, por fim, a possibilidade de controlá-los. Essa pesquisa se propõe a analisar o surgimento da fotografia e seu papel no arquivamento e mapeamento tanto do indivíduo quanto da família; e a materialidade dessa imagem analógica. O estudo acerca da materialidade imagética, assim como para a leitura dos conteúdos imagéticos, teve como base a realização da análise de um arquivo íntimo da família Albuquerque, datado da década de 50 e 60, e ênfase num extensivo exame conceitual das convenções que caracterizam o instantâneo moderno. Além disso, parte-se do pressuposto que o paradigma humanista fazia parte das fotografias familiares analógicas, o conceito de “paradigma representacional dominante” utilizado por Stuart Hall (2003) que serviu de base para essa análise.
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