ÍCONE, Vol. 12, No 2 (2010)

A narrativa em sedição

Marcio Serelle

Resumo


A condenação à morte, neste início de século, de Roberto Saviano, autor de Gomorra, e de Anna Politkovskaya, autora de Putin´s Russia, foi uma reação extrema que evidenciou a força da ação que a provocou: a agudeza da narrativa e sua capacidade de denúncia contra o poder. Este artigo pretende analisar a potência desses relatos de modo realista-romântico, fundados no testemunho, e a condição dos escritores, notadamente (mas não só) os de não ficção, sentenciados à morte em uma cultura mundializada, com suas implicações políticas, econômicas e, principalmente, para este estudo, midiáticas. O regime de visibilidade conferido a essas obras e autores, celebrizados, acaba por sujeitá-los a outra acusação: a de espetacularização. Percebe-se, assim, naqueles que resistem sob proteção de seus Estados, o mal-estar por ter sobrevivido, expresso em outra forma de testemunho acerca das experiências de uma meia-vida, levada entre exposição midiática e invisibilidade imposta pela ameaça.

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